A vida não é tão longa quanto imaginamos. Na medida que morremos vemos o quão ínfimo o espaço entre nascer e morrer. Vim com uma lista grande de afazeres e tem momentos que sinto que não vou conseguir a tempo. Sinto-me como um carro velho, vendo as peças envelhecerem sem poderem ser trocadas.As vidas que nos foram dadas não são maiores que os problemas, nem os meus, nem os de ninguém e tudo é uma grande corrida. Não há tempo a perder, qualquer minuto é importante.
As vezes me pego pensando que caminho tomarei, sentando, encostado no canto vazio de uma sala em silêncio, mandando todos os deuses para o limbo da não existência, tentanto fazer tudo dentro do tempo que me resta. Mas sempre me acompanha aquela sensação de que não é suficiente.
As vezes vejo pessoas rindo, eu mesmo as vezes rio, mas o tempo passa e eu esqueço como se faz isso. Serão tarefas diferentes? Menos arduas? Mesmo assim tento sorrir, vejo pessoas tentando sorrir, tentando cantar.
Cada gemido que dou nas horas que fico olhando o teto de meu quarto, enquanto o sono não vem, de cada momento em que estou acordado vendo as pessoas indo e vindo nos lugares em que sou obrigado a estar sem vontade, sinto-me abobalhado traçando planos, tentando ficar de olho em todo mundo, magoado, perdido dentro de mim e cego.
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