Translate

terça-feira, 29 de maio de 2012



O POVO NÃO AGUENTA BREGA-POPULARESCO





Por Alexandre Figueiredo





O povo do Pará não aguenta mais o forró-brega e o tecnobrega. O povo de Goiás não suporta mais o breganejo. O povo baiano não aguenta mais a axé-music, o "pagodão" e o arrocha. O povo carioca não aguenta mais o "funk carioca" e o sambrega.



Preconceito? Horror moralista? Nada disso. É o que se vê nas ruas, o povo perdeu o medo de reclamar da mediocridade musical brasileira. A reboque disso, também os jornais policialescos, as revistas de fofocas, as popozudas, os astros do futebol, também são duramente criticados como símbolos dessa mediocridade que não dá para relativizar.

E isso é uma manifestação elitista, de gente abastada que defende a "civilização"? Não, e, por incrível que possa parecer aos olhos dos leigos, até as periferias não aguentam mais "funk carioca" e o tecnobrega. E isso os fatos mostram que o povo pobre também está rejeitando o brega-popularesco.

É o que se vê quando os "bailes funk" acontecem na vizinhança. É ilusório pensar que só as elites rejeitam a poluição sonora desses eventos. As reclamações também vêm das próprias favelas, às quais o ritmo é simbolicamente associado. E as reclamações ainda possuem um sabor mais enérgico, porque são pessoas trabalhadoras que querem dormir para acordarem cedo, e acordam muito cedo mesmo.

Música de Cabresto.


sábado, 26 de maio de 2012


Uma forte neblina me envolve, uma pressão nos tímpanos suavisa os sons exteriores. Que tempo cansado quando deito-me ao lado de minha outra metade. Sinto seu suave aroma, o calor emanando de seu corpo, uma luz que se esvai lentamente...

Enfim as trevas da noite chegam, fecham-se as portas, coisas caem no chão enquanto a escuridão torna-se cada vez mais profunda. As estações se renovam o vento morno informa a chegada do verão.

Neste instante dentro da escuridão da noite seres conseguem voar com seu sonar natural enquanto alguns dormem para serem devorados. Sonho com campos idílicos, com o vento frio do inverno e o aconchego do calor do fogo num local que, com certeza não está neste mundo. Um sonho que se foi.

À sete palmos do solo eu me contorso tentando ver a manhã que chega, neste tempo de muito cansaço, sonolência, dores e ranger de dentes. Viro o rosto para ver meu amor no meu lado, sinto seu suave aroma e o calor emanando do seu corpo, sinto-me leve como uma pluma elevando-me, envolvendo-me numa escuridão profunda.

Ando caminhando há anos, sempre indo e vindo, rodando em círculos e tenho sensação de nunca ter saído daque lugar. Meus óculos preto e branco, pelos quais sempre olhei o mundo, dão-me a sensação de que já vivi mais que o tempo da minha vida.
A Verdade é que estou realmente muito cansado. Muito cansado mesmo de estar aqui. Será que foi sempre assim? Depois de janeiro de 73 poderia ter sido diferente?
Meu amor que nunca cansou de esperar. Nunca irás cansar de ficar neste lugar? Mas não se preocupe porque ninguém é eterno e não viverei para sempre.

sábado, 19 de maio de 2012

Os largos caminhos de minha vida já se foram, transformaram-se em lembranças ou... simplesmente nunca existiram. A memória já começa a pregar peças e quando me ponho a pensar que tudo pareceu um grande pesadelo com pequenas ilhas de calmaria. hoje tenho certeza que o caminho que percorro é estreito, cercado de abismos íngremes e muito altos.
As aves de rapina formam um circulo sobre minha cabeça esperando o momento para o lanche. Está na hora de eu acordar, por que o caminho está no fim e o abismo está chegando. Por favor me despertem desse pesadelo. Um pássaro ferido com a asa quebrada cai morto a meu lado, e os urubus estão se aproximando, não tenho como esconder-me. Meu gerente está todo feliz por que ganhou sua medalhinha, pensando no que fazer nas próximas férias e em que drinque tomar em Aruba. Está na hora, tenho que acordar desse pesadelo, que está sempre mudando de forma, enquanto o gerente satisfaz sua sede de medalha como o louco chapeleiro caminhando sobre a mesa de chá. Não há onde eu me esconder.

domingo, 13 de maio de 2012

Sinto a grama macia roçando meus pés, olho o grande círculo branco no céu confundindo meus pensamentos. Nós lunáticos temos uma sensibilidade muito grande ao brilho da lua. A mente viaja para lugares distantes que não mais existem nessa dimensão, mas se penso neles e os vejo e sinto, esses lugares devem existir. Jogos de criança, as diversas tonalidade de verde do mato cerrado e as brincadeiras e gargalhadas que somente existem na minha dimensão lunática. Nós loucos temos que seguir nosso caminho.
Dentro de minha casa pilhas e pilhas de informações inúteis me esbofeteiam todo o tempo, ora em forma de revistas, ora em forma da cloaca maxima.
Tenho medo que haja um dilúvio e morra afogado, por que tenho medo de morrer afogado. Não tenho medo de morrer, por que a morte é libertação, é a volta para casa, no entanto não quero morrer afogado.
Tenho medo que a lua exploda sob minha cabeça, tenho medo que algo venha do lado negro e me estraçalhe em mil pedaços. Não tenho medo de morrer mas não quero que algo venha do lado negro da lua e me esploda em mil pedaços. Isso não é bom.
Será que há alguém no lado negro da lua? encontrarei quem fez a diferença na minha vida? O brilho da lua está na minha cabeça perturbando meus pensamentos, está difícil concatenar as idéias. Isso é loucura. Por favor não erga a arma para mim, não exploda meus miolos pelo chão, tente consertar o que não funciona, encontre-me na escuridão dos lunáticos.
Não vá embora e não me deixe trancado aqui, por que o brilho da lua está transtornando minhas idéias, sinto que há alguém comandando meus pensamentos e não sou eu. Se o trovão ecoar forte em meus ouvidos eu tentarei gritar e sinto medo que não tenha ninguém a meu lado para ouvir.O som do Rock ecoa em milhoes de acordes diferentes e eu gostaria muito que tu comigo para a escuridão do lado negro e nada mais me vem à mente no quão maravilhos isso seria.

sábado, 12 de maio de 2012

Estou transformando-me na escuridão da noite. Sinto a vida desisitiindo aos poucos desse corpo cansado, sofrido, já em pedaços. Mas se esse coração ainda insiste em bater dentro de meu peito é por que tenho certeza de ser um guerreiro, um guerreiro que luta contra o negror das noites dos lunáticos, esses loucos que vagam em meio à escuridão. Vou lutar selvagemente contra esse escuro que tenta invadir meus dias que já foram iluminados. Mesmo vazio sinto que sou um vencedor, mesmo sabendo que estou me transformando na escuridão da noite dos lunáticos.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Meu quarto onde me escondo do mundo escureçe enquanto o velho e bom sol cai por detrás dos morros com suas curvas que nunca mudam. Quando neste dia o velho e bom sol se vai por detrás de minhas conhecidas montanhas vou ter que enfrentar o futuro que não  é mais futuro, é presente, o amanhã que não é mais amanhã, é hoje, o daqui a pouco que é agora. Vou ter que encarar esse domingo de toda semana, trazendo as mesmas coisas, um mesmo gordo idiota dizendo a mesma piada minha vida toda por que sempre algum outro idiota continua rindo. Mostrando filminhos de criancinhas vomitando, socando o saco dos pais, velhos caindo, mais idiotas fazendo besteiras... e todo mundo ainda continua rindo. Será que essa gente é tão bem humorada ou o problema está comigo?
Por favor não façam nenhum barulho, deixem-me aqui no meu cantinho, andem nas pontas dos pés, e se quiserem me agradar cantem uma suave canção para acalmar meu espírito, enquanto aquele bom e velho sol se põe por detrás daqueles morros lindos e familiares.
Aumento minha voz fraca para chamar alguém. Tenho a sensação de estar perdido num lugar vazio de tudo, sem nada físico, sem cores, como uma página em branco, sem em cima, ou em baixo, sem lados.

Ninguém responde.

Ninguém pode aliviar o que sinto, ninguém pode levantar-me e levar-me para as cores da realidade. Será que isso é estar deprimido? Não. Ninguém em lugar algum poderá aliviar minha dor.

Lembro de quando ficava doente quando criança, minha mãe cuidava de mim. Era bom ficar doente. Não ia para aula e ganhava algo bom para comer.

Agora sinto dores na cabeça, ela pulsa como o sangue nas veias. Novamente tenho o pressentimento que, bem... tentarei explicar, talvez não entendas. Não sou bem assim... sinto-me que estou indo... ficando levemente sonolento, confortavelmente perdendo os sentidos.

terça-feira, 1 de maio de 2012



A vida não é tão longa quanto imaginamos. Na medida que morremos vemos o quão ínfimo o espaço entre nascer e morrer. Vim com uma lista grande de afazeres e tem momentos que sinto que não vou conseguir a tempo. Sinto-me como um carro velho, vendo as peças envelhecerem sem poderem ser trocadas.
As vidas que nos foram dadas não são maiores que os problemas, nem os meus, nem os de ninguém e tudo é uma grande corrida. Não há tempo a perder, qualquer minuto é importante.
As vezes me pego pensando que caminho tomarei, sentando, encostado no canto vazio de uma sala em silêncio, mandando todos os deuses para o limbo da não existência, tentanto fazer  tudo dentro do tempo que me resta. Mas sempre me acompanha aquela sensação de que não é suficiente.
As vezes vejo pessoas rindo, eu mesmo as vezes rio, mas o tempo passa e eu esqueço como se faz isso. Serão tarefas diferentes? Menos arduas? Mesmo assim tento sorrir, vejo pessoas tentando sorrir, tentando cantar.
Cada gemido que dou nas horas que fico olhando o teto de meu quarto, enquanto o sono não vem, de cada momento em que estou acordado vendo as pessoas indo e vindo nos lugares em que sou obrigado a estar sem vontade, sinto-me abobalhado traçando planos, tentando ficar de olho em todo mundo, magoado, perdido dentro de mim e cego.