
O POVO NÃO AGUENTA BREGA-POPULARESCO
Por Alexandre Figueiredo
O povo do Pará não aguenta mais o forró-brega e o tecnobrega. O povo de Goiás não suporta mais o breganejo. O povo baiano não aguenta mais a axé-music, o "pagodão" e o arrocha. O povo carioca não aguenta mais o "funk carioca" e o sambrega.
Preconceito? Horror moralista? Nada disso. É o que se vê nas ruas, o povo perdeu o medo de reclamar da mediocridade musical brasileira. A reboque disso, também os jornais policialescos, as revistas de fofocas, as popozudas, os astros do futebol, também são duramente criticados como símbolos dessa mediocridade que não dá para relativizar.
E isso é uma manifestação elitista, de gente abastada que defende a "civilização"? Não, e, por incrível que possa parecer aos olhos dos leigos, até as periferias não aguentam mais "funk carioca" e o tecnobrega. E isso os fatos mostram que o povo pobre também está rejeitando o brega-popularesco.
É o que se vê quando os "bailes funk" acontecem na vizinhança. É ilusório pensar que só as elites rejeitam a poluição sonora desses eventos. As reclamações também vêm das próprias favelas, às quais o ritmo é simbolicamente associado. E as reclamações ainda possuem um sabor mais enérgico, porque são pessoas trabalhadoras que querem dormir para acordarem cedo, e acordam muito cedo mesmo.
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