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segunda-feira, 29 de julho de 2013


Adoraria ter escrito isto. Fui instantaneamente acordada pelo pesadelo criado pelos meus demônios, amedrontada por não poder evitá-los como sempre fiz. E me é cada vez mais instigante o fato de que a cada dia mais eles se assemelham com minha realidade. Antes fossem deveras irreais, visto que de alguma forma minha consciência me diria tranquila que tudo não passara do que os estudiosos chamam de: resto de informação. Sim, todos esses sonhos devem ter fundamento nas minhas mais humilhantes covardias, como se o meu medo atraísse todo o mal que me aguarda ansiosamente. Meu inferno pessoal já sente tanto a minha falta que me persegue antes que houvesse chegado o meu dia, tratando-me já como posse - um brinquedo - por não ter suposto pra minha alma um destino melhor merecido. Assim se fazem meus momentos, torturantes e regados a sorrisos sombrios encobrindo um coração nostálgico e cansado de doer. Quero contar que cada batimento assemelha-se a uma mão áspera que o truxida árduamente, incessantemente, como demonstrando o quão prazeroso é me ver desfalecendo. A sede que um dia sentí pela vida foi se esvaindo tanto quanto não me resta mais desejo de imaginar futuros, nem de me incluir nos planos das pessoas mais próximas. Nem meus mais afetos são capazes de enchergar nas entrelinhas que algo me deixara doente. Mas, seria o choro mais profundo da alma uma doença? Ou o reflexo de que o viver é cansativo demais para quem tem um espírito anêmico e marcado pelas mordidas dilaceradas e com cicatrizes profundas causadas pelos sanguessugas da hipocrisia, da hegemonia posuda e mentirosa, das leis que afligem o pobre e enaltecem o rico. Sinto que até minha fuga do assunto como ele é, vem como uma explicação enigmática pra quem me escuta. Só quem lê com a alma é capaz de entender o que meus demônios me fazem. Tenho saudades do tempo em que sabia dominar ao menos meus pensamentos e minha vida. Camila Fernandes de Oliveira

quarta-feira, 17 de julho de 2013


Eu nunca vou esquecer que devia ter amado menos, ter chorado pelo menos a metade do que chorei, e ao invés de ficar como um idiota vendo o sol nascer ter aproveitado seu calor durante todo o dia. Deveria ser mais cuidados e não ter arriscado tanto, procurado não errar tanto e fazer menos besteiras das tantas que fiz na minha juventude. Errei em ter aceitado as pessoas como elas são e simplesmente deveria ter me afastado das que não se pareciam comigo. Ninguém sabe o que se passa em sua mente por que não temos experiência para tanto e muito menos sabemos o que nos incomoda dentro de nosso jovem coração. Não existe o acaso e se existisse ele não iria me proteger de porra nenhuma, muito menos se andasse distraído no mundo da lua. Concordo que deveria ter complicado menos minha vida, não ter estudado tanto, nem, muito menos trabalhado, pois todos sabem que quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro. Deveria estar descansando ao invés de ficar como um idiota vendo o sol se por, sonhando e construindo castelos nas nuvens. Se tivesse feito isso não teria tantos problemas, pequenos ou grandes para resolver agora depois de velho. Deveria ter me amado mais ao invés de ficar procurando e morrendo de amor por quem não merecia. Deveria sim ter aceitado a porra da vida como ela é, aceitado as poucas alegrias e amargado as muitas tristezas que vieram, pois não podemos lutar com a vida, por que a vida é um jogo de cartas marcadas.