Mais um texto de Eduardo Motta,que esta sempre surpreendendo e esta cronica é a prova disso.
”Baseado em fatos reais,que ocorreu com um torcedor no ano passado e prova que o titulo do post é o mais justo.
No país do futebol uma criança quando nasce já ganha um uniforme de time. Em meio a fraldas e mamadeiras sempre tem espaço para uma camisa oficial, geralmente do time do pai. Dessa forma o pai mostra para os amigos o seu herdeiro e tenta influencia-lo a torcer para o mesmo time. Alguns anos depois o garoto escolhe definitivamente o seu clube de coração e dessa forma confirma ou frustra o sonho do pai.
Conforme vai ficando mais velho ele percebe novas emoções ao torcer. Forma um grupo de amigos que saem para rua festejar.Algumas vezes encontra um ou outro torcedor de outro time e nesse momento, estando em maioria, percebe que pode xingar a vontade contando vantagens sobre seu time ser melhor, “time de homem” ou sendo o atual campeão de alguma copa. Os xingos passam a se tornar mais violentos e em alguns momentos viram brigas.
As brigas acabam se tornando comum e somente os punhos já não satisfaz. Bastões se tornam acessórios indispensáveis e alguns até acrescentam pregos a ponta. Enfim, se descobre a “pólvora” e com ela se fabrica bombas. Bombas que assustam, que machucam e que são extremamente eficaz, no objetivo de mostrar a superioridade de sua valentia.
O garoto, que outrora era orgulho do pai, vira referência em sua galera e na fabricação de bombas. Certa vez, junto com a galera, mostra uma proeza, uma “super bomba capaz de matar”, como explica para seu amigo. “Hoje tiro pedaço de um” diz para outro. Vão para o campo mas não para torcer, pois o jogo não importa. A briga já foi marcada por orkut para depois e nas ruas.
Chega a hora do confronto e ele saca a bomba, acende a bomba e por extrema idiotice ela explode ainda em sua mão que se desfaz como pó. A imagem de não ver os próprios dedos de sua mão se torna pavorosa e um choro vem em seguida, logo depois vem o desmaio. Quando acorda no hospital vê seu pai, grande referencia da infância, em prantos. As lembranças da infância vem em sua mente em forma de flash onde passa toda sua história e o que se tornou, um “idiota torcedor”. Seus amigos já não te ligam, pois um “maneta” não tem serventia para o desejo da galera que é brigar e “como vamos chamar um maneta? Ele vai dar trabalho!” é a frase de um ex-companheiro de selvageria. Só resta torcer pela televisão e se não gostar do narrador e quiser trocar de canal pedir para alguém, com as mãos, usar o controle e trocar de canal. Este é um idiota torcedor.”
O que se passa na Mente de alguém que está sempre Nas manhãs do Sul do Mundo .
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Idiota Torcedor
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